Roger Taylor sempre teve papel central no Queen, não só como baterista, mas também como compositor e vocal de apoio em algumas faixas. Com um estilo mais direto e avesso a invenções mirabolantes, ele costumava ser cético em relação a ideias muito fora da curva – e uma dessas desconfianças quase barrou uma das músicas mais famosas da banda.
Em 1977, durante a produção do álbum “News of the World”, Brian May apareceu com uma proposta inusitada: uma música praticamente sem instrumentos, construída apenas com palmas, batidas de pé e vocais. Para Roger, aquilo era tudo menos rock. “Lembro que Roger tinha sérias dúvidas a respeito. E ele definitivamente não queria que fosse a primeira do álbum. Ele disse: ‘Nenhuma estação de rádio vai tocar isso! Não parece uma música de rock'”, contou May em conversa com a Guitar World (via Far Out).
A canção em questão era “We Will Rock You”. Na visão de May, o objetivo era fazer algo que o público pudesse participar, algo simples e direto, que gerasse envolvimento imediato. E foi isso que defendeu durante a discussão interna. “Normalmente eu não ganhava essas discussões, mas dessa vez ganhei”, disse. O resultado foi que a faixa não só entrou no álbum como foi escolhida para abrir o disco, logo seguida de “We Are the Champions”, criando uma dobradinha imbatível.
Taylor não estava totalmente errado: 70% da faixa não tinha acompanhamento musical e nem mesmo bateria. Mas foi justamente isso que a transformou em um hino, o tipo de música que qualquer pessoa pode acompanhar com palmas e pisadas. A voz de Freddie Mercury, com um toque bluesy, ajudava a amarrar a proposta minimalista com força e presença.
A ironia é que, mesmo nascendo de um impasse, “We Will Rock You” virou uma das músicas mais tocadas da história do rock. Sua estrutura simples se tornou padrão em eventos esportivos, comerciais e apresentações ao vivo. E mesmo Taylor, que no início achou que ninguém tocaria a música no rádio, passou a reconhecê-la como uma das marcas registradas da banda.
Fonte:: https://whiplash.net




