Brian May já ouviu de tudo sobre o próprio trabalho no Queen, mas há momentos em que ele prefere apontar para o lado e dizer: “é ali”. Numa dessas, o alvo não foi Hendrix, Clapton ou algum nome óbvio da lista de lendas do rock, e sim um guitarrista que muita gente associa a uma cena bem específica do começo dos anos 90.
A música é “Get the Funk Out”, do Extreme (youtube), e o guitarrista é Nuno Bettencourt. O tipo de faixa que não precisa de introdução longa: riff acelerado, banda “em cima”, e um solo que vira assunto sozinho, mesmo para quem não acompanha a discografia do grupo.
Quando May falou sobre aquilo, ele admitiu que era algo além de seu domínio. “Só pela capacidade técnica pura, aquilo é colossal. Eu nunca conseguiria fazer isso. Nem em mil anos eu conseguiria aprender aquele solo. É a coisa do Nuno. É uma coisa estupenda, é um marco. É um marco na história do rock”, disse o guitarrista do Queen, em fala resgatada pela Far Out.
Repare como a fala não depende de comparação com Queen, nem de ranking, nem de “quem é melhor”. O ponto é outro: um músico que construiu a carreira em cima de solos memoráveis escutando um trecho específico e assumindo, sem cerimônia, que aquilo está fora do alcance dele.
No fim, a história toda cabe num recorte simples: Brian May escolheu um solo do Nuno para chamar de “marco” e deixou claro que, se a conversa for só técnica, ele não se vê competindo com aquilo. E, para quem toca guitarra, esse tipo de frase costuma valer mais do que qualquer lista.
Fonte: https://whiplash.net




