Antes do Queen: Tim Staffel e o Smile

Na última edição da revista Mojo, Tim Staffel concedeu uma pequena entrevista onde ele fala sobre o começo do Smile, a sua saída da banda e seu relacionamento com os membros do Queen.

 

Tim Staffell e Smile

Eles se conheceram na faculdade em Londres. E quando eles se separaram, eles se juntaram a um cara chamado Freddie e se tornaram o Queen…

OLÁ OUTONO DE 1968

Brian [May, guitarra] e eu tocamos na [banda] 1984 quando estávamos na escola [de Hampton], e quando saímos decidimos que queríamos continuar e ser uma banda de rock pesado, mas com harmonias. Eu estava no Ealing Art College, onde conheci Freddie [Bulsara, também conhecido como Mercury), e Brian estava no Imperial College.

Anunciamos no quadro de avisos do Imperial College a procura por um baterista, e quem deveria aparecer senão Roger [Taylor], que estava na faculdade de odontologia.

Foi uma audição menos séria, apenas um bate-papo na verdade, no porão do apartamento de um amigo estudante em Addison Gardens, em Shepherd’s Bush.

Tapetes persas velhos e puídos, paredes de magnólias. Era a era da Portobello Road e da moda boêmia – cabelos nas costas, flores de veludo amassado, camisetas de Frank Zappa e Grateful Dead …

Lembro que Brian usava uma jaqueta azul dos fuzileiros navais e eu um casaco militar verde-garrafa. Acho que Brian estava com seu amplificador, eu com o meu e meu baixo. Éramos muito barulhentos, mas sensíveis ao barulho! Foi uma situação complicada – acho que nenhum de nós fumava maconha naquele momento, e Brian nunca o fez.

Acho que devemos ter tocado If I Were A Carpenter de Tim Hardin, e Step On Me, uma música que Brian e eu escrevemos no 1984, e algo como Sunshine Of Your Love e White Room do Cream.

Nós dois ficamos muito impressionados porque nunca tínhamos visto um baterista capaz de tocar de forma tão extravagante.

Depois tiramos o anúncio, porque não havia necessidade de ir mais longe. E assim nasceu o Smile. Acho que o nome foi ideia minha e o logotipo também foi minha execução.

Nós fomos direto para o show. Roger morava em Truro, e havia uma cena saudável de bandas ao vivo por lá. Foi a primeira banda em que qualquer um de nós estava e que sentimos que tinha uma chance. Conhecemos Lou Reisner da Mercury Records e ele nos deu uma chance para gravar um single [Earth] e depois gravamos mais algumas faixas… ficamos muito animados porque pensamos: Chegamos! O single de Earth deve valer alguns centavos agora, mas não tenho uma cópia.

 

ADEUS FINAL DE 1969

O último show foi provavelmente na Cornualha, ou talvez no Imperial College – nós abrimos para o Jimi Hendrix lá uma vez. Smile era uma boa banda e tivemos uma carreira semiprofissional bastante interessante enquanto cuidávamos da faculdade. Até que fiz a sujeira e, heh, desapareci no final de 69. Quando você começa a se relacionar com outros músicos, você sai de seus limites originais e bastante paroquiais. Eu estava ficando cansado do peso e comecei a me interessar por um tipo de música mais introspectiva, e comecei a fazer audições para bandas mais alinhadas com isso. Acabei ficando com Colin Peterson, o baterista dos Bee Gees, e me juntei à sua banda Humpy Bong.

Eu provavelmente disse aos caras: Estou fora, por falta de plano em algum lugar. Acho que, por um breve momento, eles podem ter se sentido um pouco… privados de direitos. Eu não estava infeliz, acho que estava preocupado que não fosse a lugar nenhum. E eu sabia, bem, se meu coração não está nisso, não vou dar o meu melhor de qualquer maneira.

E então deixe oi Smile para a entrada de Freddie, que, por osmose, fazia parte da extensa família social do Smile. Acho que ele costumava conversar com o Brian e dizer: Eu seria muito melhor no Smile do que o Tim! E ele estava certo, era exatamente o que precisava acontecer. Eu não poderia ter feito isso com eles. Eu ainda estava envolvido musicalmente – o melhor de Humpy Bong foi que conheci Jonathan Kelly. Tive o privilégio de trabalhar com ele. Não sentia nenhum tipo de ciúme [do Queen), embora, certamente, no final dos anos 70, eu tivesse muita inveja do poder que eles detinham.

Eu socializei com eles esporadicamente depois. Fui ao vigésimo aniversário deles, não muito antes da morte de Freddie, no Groucho Club, e em 1992 fiz um show com eles no Marquee. Alguns anos atrás, Brian me ligou e disse: Você gostaria de fazer o vocal de Doin’ Alright para o filme Bohemian Rhapsody? Desde então, temos estado em contato, intermitentemente, novamente.

Eu ainda estou escrevendo e estou trabalhando no meu quarto álbum agora. Tem sido difícil tentar sair dessa sombra, mas acho que há algumas coisas bem legais lá.

Entrevista concedida a lan Harrison

Dica de Arnaldo Silveira

 

Fonte: Página de Tim Staffell no Facebook

Cláudia Falci

Sou uma professora de biologia carioca apaixonada pela banda desde 1984. Tenho três filhos, e dois deles também gostam do Queen! Em 1985 tive o privilégio de assistir a banda ao vivo com o saudoso Freddie Mercury. Em 2008 e 2015 repeti a dose somente para ver Roger e Brian atuando. Através do Queen fiz (e continuo fazendo) amigos por todo o Brasil!

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